Gabriel Novis Neves O jornal chegou cedo e ficou dobrado. Passei por ele duas vezes antes de sentar. Quando abri, fui direto às páginas conhecidas. Li devagar, sem pular linhas.

Quando o avião não pousava em Cuiabá, por falta de aeroporto que operasse à noite, eu só conseguia o jornal no dia seguinte
Algumas notícias já eram esperadas; outras, nem tanto. Dobrei novamente, deixando marcado o lugar onde parei. O jornal continuou ali, ocupando seu espaço na mesa, como faz há tantos anos.
Quando criança eu ia à Livraria e Papelaria Santa Therezinha, do carioca Rubens de Carvalho, sempre no fim da tarde. Ficava esperando o avião chegar trazendo os jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Comprava sempre um do Rio para meu pai, que não tinha rádio em casa e ficava sabendo, assim das últimas novidades da Segunda Guerra Mundial. Na porta da livraria, ouvia a conversa dos adultos sobre os mais variados assuntos — e, claro, sobre futebol.







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