O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) elevou o tom das críticas ao grupo do ex-governador Mauro Mendes (União) e afirmou temer uma articulação nos bastidores para impedir a candidatura do senador Jayme Campos (União) ao Governo de Mato Grosso nas eleições deste ano, trocando apoio no diretório estadual por cargos e dinheiro.
Principal defensor da candidatura do irmão dentro do partido, Júlio afirmou que a decisão sobre o futuro da sigla quanto à candidatura majoritária deve passar pela convenção estadual, conforme previsto em regimento interno, e alertou para o risco de convencionais serem influenciados por promessas de cargos ou vantagens políticas, o que acontece rotineiramente.
Conforme o cacique político, se o União realizar a convenção nas próximas semanas, o irmão conseguiria tranquilamente sair candidato. Mas, as manobras por trás podem resultar em mudanças.
“Hoje nós temos maioria. Se não houver coisas estranhas por trás dos bastidores. Se não quiserem comprar convencionais para aceitar candidatura própria, chamando as pessoas para votarem contra. Podem comprar com dinheiro, proposta, cargos ou governo. Isso ocorre todo dia e toda hora. É errado, mas existe”, declarou.
Segundo o parlamentar, o União Brasil possui uma história consolidada em Mato Grosso e não pode ter seu rumo definido por uma única liderança, como ele acusa Mauro. Júlio lembrou sua trajetória partidária e criticou a influência exercida por Mendes nas discussões internas sobre a sucessão estadual.
“Nós temos um partido constituído, que não é de agora. Começou em 1966, quando eu e meu pai nos filiamos à Arena. Estamos lá há mais de 50 anos. Não aceitamos que um cidadão que entrou há oito anos na sigla queira impor regras ao partido”, afirmou.
O deputado voltou a defender que a escolha do candidato ao Palácio Paiaguás seja submetida aos 52 integrantes da convenção estadual, formada por membros do diretório e representantes das comissões provisórias municipais.
“Queremos democracia no partido. Para escolher candidato, precisamos da convenção partidária. Queremos uma consulta com os 52 membros. Pergunta se querem candidatura própria do senador Jayme Campos ou se querem apoiar Otaviano Pivetta no primeiro turno”, disse.
Apesar das divergências, Júlio reconheceu que o vice-governador Otaviano Pivetta seria o nome natural da legenda caso estivesse filiado ao União Brasil. Ainda assim, argumentou que o partido deve lançar candidatura própria antes de discutir alianças.
“Eleição tem dois turnos. Cada partido lança seu programa de governo e alguns passam para o segundo turno. Às vezes podemos nem ir, mas queremos disputar o primeiro turno. Depois, se for o caso, fazemos a coligação”, pontuou.
Na avaliação do deputado, Mauro Mendes não fortaleceu o União Brasil ao longo dos últimos anos e agora depende da estrutura partidária para viabilizar seu projeto político para 2026.
“Ele não viabilizou o União Brasil, ele deixou o União Brasil muito fraco. Agora, para ele fazer seu candidato, precisa dos votos. Se os convencionais decidirem que Jayme Campos será candidato a governador, isso precisa ser respeitado”, concluiu.
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