19 de Julho de 2024

JUDICIÁRIO Terça-feira, 15 de Agosto de 2023, 08:32 - A | A

Quem era a advogada Cristiane Castrillon vítima de feminicídio em Cuiabá

Ela havia completado 48 anos no dia 13 de junho, ou seja, 2 meses antes da sua morte

Thiago Andrade e Rogério Junior - PP

adv cristiane  castrillon

 A advogada Cristiane Castrillon, de 48 anos

A advogada Cristiane Castrillon, de 48 anos, vítima de feminicídio registrado neste domingo (13) em Cuiabá, além de trabalhar na área do Direito, era professional coach, consultora e palestrante.

Com passagens como instrutora do Sebrae em Mato Grosso e Rondônia e servidora no MPMT (Ministério Público de Mato Grosso).

A advogada era viúva e deixou duas filhas, de 14 e 20 anos de idade.

O suspeito de ter matado a advogada Cristiane Fonseca Castrillon, de 48 anos, é Almir Monteiro dos Reis, de 49 anos. Ele foi preso em flagrante, mas negou que tenha cometido o crime e disse que foi um acidente. A vítima foi encontrada morta dentro de um carro no Parque das Águas, em Cuiabá, no final da tarde desse domingo (13). 

Cristiane formou em Direito na Unic (Universidade de Cuiabá) em 1999. É pós-graduada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho; Gestão do Agronegócio; Gestão, Governança e Setor Público e MBA em Gestão de Políticas Públicas Municipais.

Ela foi consultora e instrutora credenciada do Sebrae Mato Grosso. Depois, exerceu o mesmo cargo no Sebrae Rondônia. Também atuou na coordenação e gerenciamento das atividades do departamento e gestão do MPMT.

Cristiane havia completado 48 anos no dia 13 de junho, ou seja, exatamente 2 meses antes da sua morte.

A presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) seccional Mato Grosso, Gisela Cardoso, disse que a entidade vai acompanhar o caso.

Nós ainda vemos a violência acontecendo de forma tão cruel. As mulheres continuam sendo mortas, sendo vítimas de feminicídio. Então, recebemos com muita dor a notícia da morte da advogada Cristiane. Nós tivemos no início do ano a morte trágica e brutal da doutora Thais, assassinada na porta do edifício da sua mãe, junto com seu namorado. Morta pelo ex-companheiro que não aceitava o fim do relacionamento. O feminicídio continua fazendo vítimas. O crime de ódio, de desprezo contra as mulheres. Nós precisamos combater esse ódio, essa discriminação. Precisamos, cada vez mais, combater a violência contra as mulheres desde a violência psicológica para que não chegue ao último degrau, que chegou à doutora Cristiane", disse.

A presidente da Comissão da Mulher da OAB-MT, Glaucia Amaral, lamentou a perda repentina, destacou o fato de Cristiane ter sido uma defensora e ativista de mulheres vítimas de violência doméstica.

"Por pelo menos 8 anos, Cristiane foi responsável pelo acompanhamento das crianças vítimas de violência, que ficavam em juízo e na Casa Lar. Então, ela tinha muita sensibilidade. Muito positiva e sempre sorrindo. Uma boa amiga é pessoa extremamente honesta, lúcida e sábia. Ela era dedicada e estudiosa. É uma tragédia", lamentou Glaucia.

Glaucia destacou que Cristiane estava envolvida na formação de empreendedores e estudava muito o arcabouço jurídico para ajudar a quem quisesse abrir o primeiro negócio.

"Quando esse tipo de coisa acontece, nós, como sociedade, devemos respeitar a vítima. Ela é a vítima. Uma pessoa digna e honesta que nada fez de ilícito na vida. E foi vítima de alguém que não merece questionar qualquer aspecto da vida dela. Nós, como sociedade, precisamos mudar para que mais mulheres não sejam vítimas desse tipo de feminicídio", disse.

Glaucia relembrou que ela e a vítima conversaram logo após o falecimento do marido de Cristiane, morto em decorrência da covid-19.

Segundo ela, Cristiane contava que estava dedicada a cursos de formação de empreendedorismo. Glaucia contou que as duas estavam com dificuldades para se encontrar por conta do fluxo intenso de trabalho.

"Mas ela sempre estava feliz pelas conquistas e pelas filhas. Ela estava de cabeça erguida, positiva", completou.

Feminicídio

Almir Monteiro - preso pela morte - é ex-policial militar e ingressou na corporação em 13 de novembro de 2000. Contudo, em 21 de março de 2013 foi instaurado processo administrativo para sua demissão por roubo. 

A expulsão de Almir foi publicada no Boletim Geral Eletrônico n.º 1211, em 19 de março de 2015, que concordou com o relatório conclusivo do Conselho de Disciplina, que decidiu pela demissão do ex-policial.  

No mesmo ano, a defesa de Almir apresentou um mandado de segurança contra a sua demissão. Na época, ele alegou que é portador de esquizofrenia, razão pela qual teria sido interditado judicialmente. Contudo, ele não conseguiu regressar à corporação.



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