15 de Julho de 2024

CULTURA Quarta-feira, 19 de Julho de 2023, 14:18 - A | A

O CINEMA RESISTE

Em tom de recomeço, 21ª edição do Cinemato volta a fomentar o cinema mato-grossense

O Entretê conversou com o criador, curador e produtor do festival, Luiz Borges, e conheceu um pouco da história de um dos maiores eventos culturais do estado que estão ano volta às origens no teatro da UFMT

Paulo Henrique Fanaia - LeiaAgora

luiz borges cineasta

 produtor, curador e criador do Cinemato, Luiz Borges

Recomeço! Está é a palavra de ordem que dá o tom do 21º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá (Cinemato), um dos eventos de cinema mais importantes do Centro Oeste, que após alguns anos sem edições, volta com o tema “Pachamama”.

A proposta é apresentar ao público uma reflexão contemporânea entre as imagens simbólicas do cinema e as relações entre os seres humanos e a natureza, o feminino e o masculino.

Na manhã desta quarta-feira (19), os organizadores do festival realizaram uma coletiva de imprensa com diversas entidades para apresentar oficialmente o festival ao público.

O Cinemato acontece entre os dias 22 e 28 de outubro no Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso, local de seu nascimento ainda no ano de 1993. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 6 de agosto por meio deste link.

De acordo com o produtor, curador e criador do Cinemato, Luiz Borges, o festival surgiu com o objetivo de fomentar o audiovisual em Mato Grosso a partir de pesquisas feitas por ele no início da década de 90. Em 1993, o festival ganhou forma e teve a sua primeira edição no Teatro da UFMT. Apenas na sétima edição é que os produtores passaram a adotar temas para os eventos, já tendo sido escolhidos filmes sobre “viajantes” e até mesmo sobre “discriminação e racismo”.

Apesar de ter sido lançado 30 anos atrás, o evento está na 21º edição devido à falta de incentivo de governos anteriores, afinal, não é nada fácil produzir um evento desta magnitude contando apenas com recursos particulares.

Agora eu acredito que vai ser pra valer. Pela primeira vez estamos tendo uma determinação muito grande da Secretaria de Cultura do Estado de Mato Grosso no sentido de encontrar um instrumento para dar garantia ao festival, porque o Cinemato é um dos maiores eventos culturais de Mato Grosso e é reconhecido em todo território nacional e internacional. Hoje nós podemos expor o esforço de se produzir o audiovisual em Mato Grosso. Atualmente, as salas de cinema estão comprometidas com os blockbusters americanos, todas passam o mesmo filme e o filme brasileiro e de Mato Grosso não chega em Cuiabá. O festival é o momento de trazer o cinema brasileiro para Cuiabá e fazer a via de retorno que é levar a produção mato-grossense para o Brasil e para o mundo”, afirma Luiz Borges.

O secretário de Cultura de Mato Grosso, Jefferson Neves, explica que era um desejo do governo estadual fomentar o Cinemato desde 2019, todavia, por falta de recursos isso não foi possível. Os planos então foram adiados para o ano de 2020, mas em função da pandemia da covid-19 isso se tornou inviável.

Agora estamos fazendo esse resgate. A Secel vai investir meio milhão em todas as ações, desde avaliações, inscrições e fazer o resgate do cinema de Mato Grosso que tem um potencial gigantesco. Acreditamos que esse é o momento. A lei Paulo Gustavo vem nesse segundo semestre para fazer com que esse investimento seja cada vez mais robusto. 70% da lei vai ser investida no audiovisual mato-grossense, cerca de R$ 25 a R$ 27 milhões. Vamos ter recursos para longas, curtas e médio-metragens e documentários”, diz o secretário.

Além de homenagear a atriz Dira Paes, afinal, ela recebeu o seu primeiro prêmio nacional no Cinemato e, 1996, o evento ainda contará com mostras de mais de 30 filmes, rodas de debates, feiras de produtos indígenas, oficinas de direção e produção e até mesmo exibição de filmes para escolas, abrigos, hospitais e até mesmo no sistema carcerário, tudo de forma gratuita.



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