13 de Julho de 2024

CIDADES Segunda-feira, 19 de Setembro de 2022, 09:12 - A | A

DEGRADAÇÃO EM CONCRETO; FOTOS

Vizinhos denunciam sujeira e invasão em hotel de luxo inacabado

A construção abandonada está localizada na Avenida do CPA e há quase três décadas está inacabado

LIZ BRUNETTO - Midia News

PREDIO ABANDONADO

 

Moradores do Bairro Alvorada e vizinhos da obra inacabada do que seria o luxuoso Haddad Park Hotel têm passado apuros nos últimos meses com invasões de vândalos ao prédio, animais peçonhentos e queimadas. A sensação de insegurança se tornou recorrente e eles até registraram alguns desses momentos (veja ao final da matéria).

 Síndica do Edifício Odeon há quatro anos e moradora há mais de 10, Carmen Cenira Praeiro da Silva, de 52 anos, relata que o problema no imóvel vizinho é antigo, mas recentemente, com as seguidas invasões de vândalos, ficou ainda pior.

 O edifício de 45 metros em formato circular começou a ser a erguido em 1987 e há pelo menos três décadas está com as obras paradas. Carmen tinha duas irmãs que moravam no prédio e se lembra dessa época com clareza.

Quando começaram a construção foi uma alegria, de repente não deram continuidade. A gente fica triste com isso, eu sou cuiabana”.

 “O problema era só de sujeira, insetos, bichinhos peçonhentos e ratos. Hoje ainda têm as pombas e urubus, pois são deixados entulhos e restos de comida, além das invasões e queimadas”, afirmou.

 Segundo Carmem, o prédio foi vendido há poucos meses e, com a saída do então zelador, foi que a situação se agravou. Em total abandono, de tempos em tempos, os moradores ouvem um quebra-quebra vindo do prédio.

 “Ontem estavam quebrando lá dentro, sabe se lá o que. Os moradores têm medo deles afetarem algum pilar porque esse pessoal não está nem aí. Afetar um pilar e cair, desabar, sei lá, não sei se há esse risco”, exclamou.

Com as invasões, tornaram-se frequentes também as queimadas. Pelo cheiro intenso e desagradável, Carmem acredita se tratar de fios de cobre. Depois de incendiado o metal fica intacto, mas o material que o envolve derrete possibilitando, assim, a venda.

 “O fio de cobre hoje está muito caro, R$ 70 o quilo. Eles roubam e queimam para ficar puro”, afirmou. Ela acredita que esse também seja o motivo do quebra-quebra. Os vândalos invadem o prédio roubam a fiação e ali mesmo o queimam para depois vender.

 A reportagem visitou o prédio e foi possível constatar os restos de comida misturados à de fiação, logo na entrada, além de vários pontos diferentes carbonizados no chão.

 “É um cheiro muito forte, incomoda todos os moradores. Temos aqui no prédio muitos idosos e crianças, e ainda mais em um período desses, com o tempo tão seco”.

 Rose Decol, síndica do Edifício Flamingo, também vizinho à edificação abandonada, reclama dos mesmos fatores. “Com essa seca o cheiro de coisa queimada, borracha queimada é terrível”.

 Ela também relata a alta incidência de baratas e outros animais peçonhentos devido à sujeira acumulada na propriedade. Pombos e urubus também são “figurinhas carimbadas”, e visitam os prédios vizinhos diariamente, se alojando nas caixas de ar condicionado e perambulando nas áreas comuns.

 “Os pombos são um problema. Temos tido bastante reclamação dos moradores. Eles estão invadindo as janelas, vindo na piscina e fazendo cocozinho na beira”, afirmou Rose.

 “É grave a situação desses animais, e isso é visível o dia inteiro. Felizmente nós mudamos as formas das caixas do ar condicionado na última reforma. Aí diminuiu um pouco”, complementou Carmen.

 Além dos pombos que “visitam” os prédios vizinhos, foi possível constatar uma grande quantidade deles mortos entre o mato alto.

Reprodução

Haddad Park Hotel

Haddad Park Hotel
Morador flagrou pessoa dentro de propriedade após ferro ter sido jogado do alto

 Os pombos habitam locais sujos e se alimentam na maioria das vezes de restos de lixo. Suas fezes podem transmitir cerca de 50 tipos diferentes de doenças. Uma delas é a criptococose, classificada como micose sistêmica causada por fungos.

 Conforme Rose, a última limpeza realizada no terreno foi há aproximadamente cinco meses, quando tiraram sacos e sacos de lixo.

 Conforme Jeferson Maciel, zelador do Edifício Flamingo, o roubo de materiais no prédio é diário. “Roubo é todo dia, e só de noite que eles transportam as coisas porque ninguém está vendo”, afirmou.

 Outra imagem mostra um homem do outro lado da calçada ajeitando pedaços de ferro e correndo em direção à Avenida do CPA depois de ajeitá-lo nos ombros, durante a madrugada. “Era esse cara que estava pegando os ferros, acabou o barulho, era ele”, diz a moradora que flagrou a cena.

 “Eles estão vindo roubar ferro, mas é perigoso porque podem atravessar pra cá. E faz barulho, os moradores chegaram a ligar pra nós pra saber o que está acontecendo”, afirma Rose.

 Os moradores já entraram em contato com a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, mas não tiveram retorno.

 Por último entraram em contato com a Defesa Civil de Cuiabá, devido ao receio de comprometimento da estrutura. A corporação afirmou que enviará uma equipe até o local na próxima semana, juntamente com uma guarnição da Polícia Militar.

 A equipe verificará se a estrutura está danificada e se a “ação de quebrar a parede para retirar os fios pode causar o risco de desabamento do prédio”.

 “Meu apelo é com relação à Prefeitura. Que identifique o proprietário do imóvel e notifiquem. Se não for utilizar o espaço que feche corretamente evitando a entrada de vândalos e andarilhos e que faça essa vistoria permanentemente para evitar a situação”, declarou Carmen.



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