23 de Julho de 2024

CIDADES Domingo, 29 de Janeiro de 2023, 15:45 - A | A

CHAPADA DOS GUIMARÃES

Donos de bares questionam condições para liberar música ao vivo no entorno da praça central

Apesar do som ter sido autorizado novamente desde sexta, os comerciantes da região ainda sofrerão restrições e mais queda no movimento

CAROLINA ANDREANI - HNT

bares chapafa

 

Desde sexta-feira (27), estão permitidas novamente apresentações com música ao vivo na praça Dom Wunibaldo, a central da cidade de Chapada dos Guimaraes (67 km de Cuiabá). Apesar de a decisão aliviar um pouco para os comerciantes da região, ainda há restrição. As mesas dos bares só podem ficar dispostas em 1,20 metro das calçadas e som não pode ultrapassar 80 decibéis. Os estabelecimentos serão fiscalizados pela prefeitura.

A decisão veio após uma reunião ocorrida na quarta-feira, entre a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MT), as secretarias de Governo, Finanças e Fiscalização da Prefeitura de Chapada dos Guimarães e a Promotoria de Justiça.

O diálogo aconteceu com o setor de restaurantes, lanchonetes, bares, bistrôs e food trucks para buscar um entendimento que seja bom para turistas, músicos, moradores e empresários. Durando o encontro, os empresários que têm bares no entorno da praça solicitaram o fechamento das ruas no local aos sábados, domingos e feriados, de 12h à 0h. A Prefeitura de Chapada dos Guimarães estuda o fechamento das vias para permitir a colocação de mesas e cadeiras na área externa, como uma opção de lazer para as famílias.

Flávia Cintra é proprietária de um bar que fica no entorno da praça central Dom Wunibaldo. Ela conta que toda a situação da proibição anterior acabou gerando desconfortos. “Foi uma coisa muito chocante, porque não foram todos os bares de Chapada [...], que, no caso, seriam no entorno da praça. Ficou uma coisa muito ruim, porque nós perdemos muito público, muito movimento”, conta a empresária.

Comenta também sobre a desigualdade entre os bares, por conta da fiscalização e proibição do som. “No sábado retrasado, eu fechei às 8 horas da noite, porque não teve nenhum movimento. E os outros lugares estavam tendo música, estavam todos lotados”, expressa.

A empresária ainda relembra a dificuldade enfrentada durante a pandemia e, hoje, por conta da obra que está acontecendo na praça central. Com o fechamento do espaço público para reforma, o movimento de todos os estabelecimentos na cidade caiu visivelmente. “Muitas pessoas gostavam de vir, ficarem sentadas na praça”, reforça.

Acrescenta que ainda está pagando parte do aluguel que ficou para trás da época da pandemia, diante da frustração do fechamento da praça para reforma. "Depois de tudo isso que aconteceu da pandemia, a gente teria o final do ano pra gente poder trabalhar, levantar uma ‘grana’ [...] ai pegou final do ano, ano novo, agora [a obra] vai pegar o Carnaval, que também é uma época muito boa. E, provavelmente, o Festival de Inverno também", expressa Flávia.

Sobre a atual situação, a respeito do espaço nas calçadas, ela se vê encurralada. “É muito difícil você receber uma mesa com 10 pessoas e você ter que falar ‘olha vocês têm que ficar nesse espaço, porque aqui tem um metro e vinte de calçada e você não pode sentar ali, porque é espaço de pedestre’. A gente fica se sentindo meio acuado. Trabalhando com medo, como era na pandemia. “, manifesta a empresária.

Flávia fala que vai cumprir com o acordo feito com a Prefitura de Chapada dos Guimarães. Ela vai realizar algumas adequações no seu bar, mesmo não tendo espaço suficiente para atender o público, que é rotativo. Mesmo cumprindo com o combinado, a empresária não deixa de se indignar sobre todo o cenário que envolve o movimento do bar. “A gente ‘tá’ tentando tirar o foco um pouco da praça, porque essa praça ‘tá’ bem complicada pra trabalhar, viu?”, diz.

HISTÓRICO

Uma decisão do dia 13 deste mês havia proibido apresentações com música ao vivo nos bares e restaurantes no entorno da praça de Chapada. A decisão teve como base uma ação civil de 2012, quando foi acolhida a reclamação dos moradores da região. A população se queixava da poluição sonora e do lixo que ficava jogado nas redondezas.

As pessoas também reclamavam sobre o funcionamento irregular dos estabelecimentos, sem alvarás, e apropriação inadequada das ruas. A partir da notificação de proibição, a Abrasel-MT começou a se envolver na causa.



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