13 de Julho de 2024

CIDADES Segunda-feira, 21 de Março de 2022, 09:42 - A | A

INVASÕES

Cuiabá "desconhece" mais de 200 bairros

Elayne Mendes Gazeta Digital

bairro cuiaba

 

Sem saneamento básico, com iluminação precária, dificuldade para receber correspondências e até mesmo um medicamento por meio de entregador. Essa é a situação de milhares de famílias que moram em um dos mais de 200 bairros irregulares da Capital.

Apesar da Prefeitura de Cuiabá afirmar que existem apenas 115 bairros na cidade, destacando que nem todos estão regulares, a concessionária de água garante que atende aproximadamente 320 bairros e 5 distritos, ou seja, 205 a mais do que o Poder Executivo diz existir. População que vive nas áreas irregulares destaca que Executivo tem ciência da existência dos bairros e promessa de melhorias é feita há mais de uma década.

Morando no Residencial das Siriemas, desde 2017, a operadora de caixa Leidaiana Prestes Fernandes, 33, conta que o bairro onde mora era uma região de chácaras que os proprietários optaram por dividir em lotes e comercializar. Explica que adquiriu o lote por meio de pagamento parcelado e que em junho deste ano quita a dívida. “Eu e outras pessoas que compramos os lotes já fomos atrás da senhora que ficou recebendo o dinheiro das parcelas e pedimos a escritura, porque queremos legalizar tudo. Mas até agora não tivemos retorno e nem sei como será, já que o dono morreu”.

Natural de Rondônia, Fernandes diz que está construindo a sua casa aos poucos, pois além da obra precisa sustentar sozinha os três filhos, de 6, 11 e 15 anos. A família vive em uma região de difícil acesso, próximo ao local onde está sendo construído o Contorno Leste, mas que ainda tem muita área verde. “Para as crianças irem para a escola vem uma van da prefeitura buscá-las, na rua de cima. E eu vou trabalhar de moto”.

Leidaiana diz que sonha com o dia em que terá asfalto no bairro em que mora, com transporte coletivo, saneamento básico e iluminação pública de qualidade. Na região, não há água encanada e as casas são abastecidas por uma grande caixa d’água instalada no bairro. Relata que apesar de pagar pelo serviço de energia elétrica, os postes são poucos e com uma iluminação precária. “O poste só ilumina o metro quadrado que fica embaixo dele. Aqui a noite é uma escuridão total”.

A moradora também sofre com o não atendimento dos Correios. Fala que o CEP que está no talão de luz consta como sendo do Morada do Ouro. “Tenho que encaminhar minhas correspondências e encomendas para a casa de amigos ou familiares”.

Um dos primeiros moradores do Altos da Serra 2, bairro vizinho do Residencial das Siriemas e uma extensão do Altos da Serra 1, o aposentado Sebastião dos Santos, 60, está no local há quase 15 anos. Diz que além da falta de infraestrutura, a região padece de saúde pública. Hipertenso, ele precisa tomar três tipos de medicamentos diferentes e no posto de saúde mais próximo, onde retirava os remédios, está em falta desde o fim do ano passado. “É uma vergonha isso. Temos milhares de pessoas que moram nessa região, que cresceu muito nos últimos anos e ainda assim está esquecida pelo poder público”.



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