15 de Julho de 2024

AGROECONOMIA Segunda-feira, 12 de Junho de 2023, 12:31 - A | A

ANÁLISE

Proposta de moeda comum não deve fazer diferença para o agro, aponta especialista

Dialum | Assessoria de Imprensa

noot e mao

 

O Governo Federal voltou a cogitar uma moeda comum nas transações comerciais entre países da América do Sul. E, segundo especialistas mato-grossenses, o mercado de capitais pode ser beneficiado com essa proposta. Em contrapartida, no entanto, o setor agrícola pode apresentar resistência em abrir mão da hegemonia do dólar em suas relações comerciais.

A temática foi um dos assuntos abordados pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a cúpula dos países sul-americanos, promovida no Brasil, no final de maio. As transações abrangeriam um total de doze países do continente e a intenção é reduzir a dependência deles de moedas externas, no caso, substancialmente o dólar.

Apesar de ainda não haver uma proposta oficial, esta não foi a primeira vez que o tema foi cogitado. A mesma abordagem foi tratada em janeiro, durante visita à Argentina, e, mais recentemente, em viagens realizadas à China e ao Japão. Na visão de Alexandre Souza, mestre em bancos, instituições financeiras e economia, o Brasil sairia na frente em relação aos países vizinhos, que têm economias enfraquecidas.

Venezuela e Argentina, principalmente, possuem economias mais frágeis em relação à nossa. A moeda comum pode fomentar o financiamento das empresas daqueles países em real, possibilitando força e credibilidade e, consequentemente, ao mercado de capitais nacional, devido ao maior volume financeiro transacionado”, afirma Alexandre, que também é sócio da Ouro Investimentos.

Alexandre Souza pontua ainda que qualquer substituição de moeda pode levar décadas para se consolidar, isso por conta do perfil brasileiro de ser um grande exportador de commodities.

Mato Grosso, por exemplo, é um dos maiores produtores de grãos do mundo. Nesse caso, a moeda comum não teria grande benefício por dois fatores principalmente. O primeiro, por conta do poder consolidado do dólar nas importações e exportações do agronegócio, aliado à baixa relação de transações entre o Brasil e os países sul-americanos.

De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura e Pecuária, o agronegócio brasileiro exportou US$ 159,09 bilhões em 2022. Milho e Soja foram as principais culturas negociadas. Para efeito comparativo, a China é o principal destino desses produtos, tendo participação de (US$50,79 bilhões), 31,9% do total exportado.

A União Europeia é o 2°, com (US$25,57, bilhões, 16,1% de participação) e Estados Unidos em 3° lugar com (US$10,50 bilhões, participação de 6,6% e variação positiva de 15,8%). Ou seja, está longe de aparecer algum sul-americano no páreo. A falta de relação no setor agrícola entre os países seria o principal entrave, na avaliação de Rafael Grings, consultor de hedge agrícola e especialista em commodities.

O Brasil não compra nem vende quase nada para esses países da América do Sul. Essa relação pode beneficiar outros setores e, talvez, até melhorar o alinhamento político, mas para o agronegócio não tem solidez. A situação se inverte em relação à China, por exemplo, que tem hoje o maior volume de exportações de commodities do Brasil e consequentemente de Mato Grosso”, argumenta Grings.



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