21 de Julho de 2024

AGROECONOMIA Sábado, 21 de Janeiro de 2023, 08:24 - A | A

NOVOS MERCADOS

Aumento de exportações deve trazer alívio para pecuaristas de Mato Grosso

Pecuaristas têm amargado prejuízo de R$ 17,22 por arroba, mas expectativa de aumento das exportações deve melhorar os preços

Felipe Leonel Repórter | Estadão Mato Grosso

boi no cocho

 

A terceira semana do ano encerrou com uma notícia boa para os pecuaristas de Mato Grosso, com a autorização de dois frigoríficos para exportar carne bovina para a Indonésia. A abertura vem em um momento no qual o setor aumenta oferta da proteína, com mais abates de fêmeas, para melhorar o caixa das fazendas e virar mais um ciclo da pecuária.

O ciclo da pecuária consiste em aumentar o ‘descarte’ de vacas para, inicialmente, aumentar o capital de giro e reduzir a oferta de animais para abate no futuro, já que haverá menos matrizes para reproduzir. Na prática, o que o setor quer é reduzir a oferta futura, enquanto a demanda aumenta ou fica no mesmo patamar, pressionando o preço da arroba.

Isso porque o preço pago aos produtores atualmente é o mesmo de dois anos atrás, enquanto o custo de produção segue elevado. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço da arroba no estado está em R$ 248,28. Já o custo de produção para a recria/engorda está em R$ 265,50. Portanto, o produtor amarga prejuízo de R$ 17,22 por arroba.

De acordo com o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea/MT), houve um aumento de 5,85% no abate de bovinos em 2022, quando comparado com o ano de 2021. Para esse ano, também é esperado um aumento nos abates, principalmente de fêmeas, reflexo da grande retenção de matrizes em 2020 e 2021.

A conjuntura de forte retenção de fêmeas ocorrida em 2020 e 2021 refletiu na intensificação do descarte de matrizes em 2022 (o incremento no abate de fêmeas foi de 14,56%, enquanto o de machos variou apenas +0,74% ante a 2021)”, afirma o Imea em seu último boletim, acrescentando que boa parte das fêmeas terminadas tem mais de 36 meses.

Assim como ocorreu em 2022, o setor também espera aumento nas exportações em 2023, com a abertura de novos mercados, principalmente em razão da nova política externa do governo brasileiro, com maior preocupação em equilibrar a produtividade e a sustentabilidade, o que pode garantir a manutenção do mercado da União Europeia.

No ano passado, o ‘Velho Continente’ preparava uma investida contra os supostos desmandos ambientais no Brasil, com a proibição da compra de diversos produtos que vinham do desmatamento legal e ilegal.

Analistas do mercado avaliam que a defesa do meio ambiente foi abandonada na última gestão, o que prejudicou a imagem do Brasil no exterior, mesmo com a defesa de grandes produtores, de que o país pode aumentar sua produção de carne sem desmatar mais as florestas. Isso porque o país possui uma vasta área de pasto degradado que pode ser recuperado.

Agora mudou de figura. Acho que internacionalmente isso deve, digamos assim, reconsolidar ou trazer de volta o Brasil como grande produtor sem destruição do meio ambiente, ou seja, nós voltamos a assumir compromissos internacionais e isso melhora para gente poder, inclusive, subir preços [por produtos ambientalmente responsáveis]”, destaca o economista Vitor Galesso.

 


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