20 de Agosto de 2019

CIDADES Sábado, 10 de Agosto de 2019, 14h:41 - A | A

LEGADO

Cinco anos se passam e 8 obras da Copa em Cuiabá seguem sem conclusão

Vinícius Lemos - Rd News
Cuiabá

RD News

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inco anos depois da Copa do Mundo sediada no Brasil, oito obras seguem inacabadas em Mato Grosso e sem previsão para que sejam totalmente concluídas. Imbróglios judiciais ou impasses entre o Executivo estadual e as empresas motivaram atrasos e, em alguns casos, incertezas sobre o fim das construções.

Desde que Cuiabá foi anunciada como uma das sedes do Mundial de 2014, tiveram início 54 obras na região. Destas, pouco mais da metade foi concluída ainda na gestão Silval Barbosa (sem partido), responsável por anunciar as intervenções. Para a gestão Pedro Taques (PSDB), ficaram 21 obras da Copa.

 

Na gestão Mauro Mendes (DEM), ainda há oito obras inconclusas. Destas, três tiveram andamento desde o início do mandato do democrata. As demais seguem incertas.

O principal imbróglio é referente ao Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). O modal, que custou, até o momento, mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, está com as obras paralisadas desde dezembro de 2014. Apenas 30% das obras físicas foram feitas até o momento. Uma possível retomada da construção custará ainda mais aos cofres públicos.

Além do VLT, entre as obras que não ficaram prontas até hoje estão Centros Oficiais de Treinamento (COT), que deveriam ser utilizados durante o Mundial de 2014; intervenções em estradas; conclusão da Arena Pantanal, que abrigou a disputa, e a reforma do aeroporto.

Abaixo, veja os detalhes sobre cada obra da Copa e como elas estão atualmente:

VLT         

As obras seguem paradas. Recentemente, o governador Mauro afirmou que quer uma definição sobre o futuro do VLT até fim do mês. O Ministério de Mobilidade Urbana, a Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas da União têm auxiliado o Executivo estadual.

A estrutura do VLT foi deteriorada com o tempo. A estimativa é de que, caso retomada, a obra custe, ao menos, mais R$ 1 bilhão para os cofres públicos. Há especialistas que defendem que o modal nunca seja concluído, pois apontam inviabilidade financeira.

As obras foram iniciadas pelo Consórcio VLT, que travou batalha na Justiça contra o Executivo. Em caso de retomada da conclusão do veículo, há indefinição sobre a empresa que seria responsável por conduzir os procedimentos.

Em agosto de 2017, o Consórcio VLT foi alvo da Operação Descarrilho, que apura fraudes na construção do modal. Conforme o ex-governador Silval, em depoimento à Polícia Federal, o grupo CR Almeida, que integra o Consórcio VLT, teria pagado propina de R$ 18 milhões ao seu grupo político durante as obras.

arena pantanal 680

O entorno da Arena Pantanal, atualmente, é tomado pelo mato e abandono, pela falta de manutenção contínua

Arena Pantanal

Apesar de ser palco de jogos e outros eventos, a Arena Pantanal segue sem conclusão. Conforme a secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra), 99% do estádio foi concluído até o momento. Não há prazo para a conclusão do restante – entre obras e questões técnicas –, pois a construção enfrenta problemas jurídicos.

A construção da arena foi iniciada em abril de 2010. O valor inicial era de R$ 342 milhões, recursos obtidos por meio de empréstimo feito pelo Estado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em razão dos aditivos, a obra custou, até o momento, R$ 596 milhões aos cofres públicos. A expectativa é de que o total da Arena, que ocupa uma área média de 300 mil m², seja correspondente a R$ 616 milhões.

Promessas de um estádio revolucionário em plena Capital mato-grossense hoje dão lugar a um “elefante branco”. A Arena consome, mensalmente, ao menos R$ 400 mil, sendo R$ 220 mil apenas em energia elétrica. Sua finalidade multiuso é pouco explorada, pois são raros os eventos de grande porte em Cuiabá. Os jogos estaduais que são sediados no local têm pouco público, cerca de 400 pagantes. Diante das dificuldades, os cofres públicos estaduais se tornaram os responsáveis por bancar uma obra que hoje traz prejuízo a Mato Grosso.

Aeroporto Marechal Rondon

As obras das áreas de embarque e desembarque doméstico e embarque internacional foram finalizadas. Conforme a Sinfra, resta a execução da reforma do setor C do local.

A obra teve início em dezembro de 2012. Quem tocou os trabalhos foi o Consórcio Marechal Rondon – Engeglobal, Multimetal e Farol Empreendimentos –, que precisou refazer alguns serviços, após apontamentos do Estado. A obra completa do aeroporto está orçada em R$ 86,5 milhões.

A Sinfra informou que o convênio com a Infraero foi encerrado em dezembro de 2017 e foi dado o prazo até 31 de maio do ano passado para que todas as pendências sobre a conclusão das obras fossem solucionadas. No entanto, as intervenções não foram concluídas pelas empresas responsáveis. “As tratativas neste momento são para prestação de contas junto à Infraero do executado”, informou a secretaria.

Em março, o aeroporto foi entregue em concessão à iniciativa privada, após um leilão. O consórcio que arrematou o terminal deverá assumi-lo até novembro deste ano.

Rodinei Crescêncio

parque corrego barbado

A implantação da avenida Parque do Barbado, em Cuiabá, é uma das obras que, atualmente, estão em andamento

Implantação e duplicação da avenida Parque do Barbado

A implantação da avenida Parque do Barbado, em Cuiabá, segue incompleta. Conforme a Sinfra, já foram concluídos mais de 80% das obras. Esta é uma das construções que, conforme a pasta, está em andamento atualmente.

O projeto inclui o trecho entre as avenidas Fernando Corrêa da Costa e Archimedes Pereira Lima (Estrada do Moinho), num total de 1,6 quilômetros.

As obras são feitas pelo Consórcio Guaxe Encomind e estão estimadas, até o momento, em R$ 29,5 milhões. “No momento, a construtora trabalha na finalização da pavimentação do lado direito da pista no sentido Avenida Fernando Corrêa-Estrada do Moinho. Ainda trabalham no entroncamento da rotatória central”, informou a secretaria.

“Seguindo os trabalhos para asfaltamento, do lado esquerdo da via a empresa já executou 90% dos serviços de base asfáltica, chegando ao trecho próximo à rotatória, onde está sendo realizada a terraplanagem; Na sequência, será feita  a segunda camada, chamada sub-base, e posteriormente a imprimação (aplicação de uma fina película de material betuminoso sobre uma superfície granular concluída de uma das camadas do pavimento - como a base ou a sub-base), encerrando com a capa asfáltica da pista esquerda”, completou a pasta.

Ainda conforme a Sinfra, a construtora tem trabalhado nos últimos detalhes da rotatória central, nas proximidades do supermercado Big Lar.

A secretaria informou que a previsão é de que as obras sejam concluídas no segundo semestre deste ano.

Implantação e duplicação da Estrada do Moinho

A obra de restauração e duplicação da Estrada do Moinho contempla 4,42 quilômetros e prevê ainda os alargamentos das pontes sobre o Córrego do Moinho e Coxipó. A construção está parada desde o fim de 2014. Ela foi executada, a princípio, pelo Consórcio Trimec-Hyte, em 2014 a empresa Hytec pediu para sair do consórcio. Diversas irregularidades foram encontradas na obra, principalmente no pavimento.

Conforme a Sinfra, após as irregularidades serem constatadas, diversos testes de qualidade foram feitos na via, com o apoio da secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra). Os resultados da análise foram entregues ao consórcio, para retomar as obras. Não há previsão para que a via seja concluída.

A previsão inicial era de que ela custaria R$ 23,3 milhões aos cofres públicos – o valor deverá ser maior, em razão do fim do contrato com o consórcio em abril deste ano. A Sinfra não divulgou dado conclusivo sobre quanto da obra foi executado, informou que está entre 70% e 90%.

Rodinei Crescêncio

COT UFMT

O COT da UFMT chegou a ser utilizado por algumas das seleções de futebol que vieram jogar na Capital, mas segue sem conclusão desde então

COT da UFMT

O COT Professor João Batista Jaudy, na UFMT, tem 90% das obras concluídas, segundo o Governo do Estado. A estimativa é de que as obras, que seguem em andamento, terminem em setembro deste ano – ainda não há previsão para a entrega definitiva do centro de treinamento.

A construção está sendo realizada pelo Consórcio Campos Universitário. O contrato tem valor correspondente a R$ 17,1 milhões.

De acordo com a secretaria, a pista de atletismo do COT foi concluída e entregue à universidade para utilização.

Agora, a construtora trabalha na execução dos serviços finais como conclusão da drenagem do estacionamento, instalação de piso monolítico, finalização da parte elétrica, início da recuperação do gramado. Além disso, está terminando o fosso do elevador e aguardando a fabricação do equipamento.

Avenida e córrego Oito de abril

As obras de urbanização do córrego Manoel Pinto e readequações na avenida Oito de Abril, orçadas em R$ 26,7 milhões, foram retomadas recentemente. Conforme a Sinfra, até o momento foram concluídos 67,3% das intervenções - o número é o mesmo de junho do ano passado.

A secretaria relatou que o contrato com a construtora Engeglobal Ltda., firmado em 2013, foi rompido em outubro de 2018. Porém, em maio deste ano, por decisão judicial, o rompimento foi suspenso e a construtora reassumiu o contrato.

A ordem de reinício dos trabalhos foi emitida à empresa dia 5 de junho de 2019, segundo a pasta.

Conforme a secretaria, inicialmente a construtora está atuando nos trechos emergenciais, onde existia risco de desabamento de partes do córrego. Tais pontos estão localizados, principalmente, nas intersecções da avenida Oito de Abril com as avenidas são Sebastião e Ipiranga.

Rodinei Crescêncio

Corrego 8 de Abril

Maquinário trabalha no córrego 8 de Abril, na Capital; mais uma obra para a Copa inacabada

Atualmente, os serviços em andamento são correspondentes à drenagem do fundo do córrego, com a utilização de gabiões (tipo de estrutura armada, flexível, drenante e de grande durabilidade e resistência), chamados de colchões reno, e a concretagem. Em alguns pontos, conforme a Secid, já estão tendo início os trabalhos de recomposição das paredes da estrutura.

No ano passado, a previsão era de que a obra fosse concluída em 31 de julho de 2018. Atualmente, não há prazo para conclusão. 

COT do Pari

O COT Rubens dos Santos, o do Pari, em Várzea Grande, também segue incompleto e sem prazo de conclusão. Até o momento, somente 69,2% da construção - paralisada desde o início de 2018 - foi concluído. A obra está orçada em R$ 31,7 milhões e segue sem prazo para ser concluída.

A obra foi executada pelo Consórcio Barra do Pari. O contrato foi encerrado em 30 de abril de 2018. Segundo a Sinfra, houve tentativa de aditar a vigência do acordo, mas a empresa não manifestou interesse.

Desta forma, uma nova empresa deverá ser contratada para concluir a obra, que terá os custos elevados. Conforme a secretaria, há conversas com a Prefeitura de Várzea Grande para o uso em definitivo do local. Após a definição, deverão ser feitas adequações do projeto, para que a construção seja usada pelo Executivo municipal.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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